quinta-feira, 13 de março de 2014

A Vingança! ~ Capítulo 1

A Vingança ~ Capítulo 1: "A união faz a força!"

*Hong Kong, Agosto de 2018*


A cidade acordou calma. Era o início de mais um belo dia, que prometia ser bastante solarengo. Uma leve e ténue névoa emergia do rio Shing Mun. Um rapaz, chamado Katsumo Hoshi, passeava à beira rio. Ele adorava o silêncio da cidade àquela hora, prestes a despertar. Katsumo tinha 29 anos e era um rapaz que à primeira vista, poderia ser confundido com qualquer outro rapaz. Era alto, moreno, cabelos castanhos-escuros e olhos castanhos. O seu olhar era desafiante. A sua expressão era séria, parecia estar sempre zangado. Mas isso era só a impressão que ele transmitia. Impunha respeito. Além de alto e olhar provocador, ele era musculoso. Via-se bem que era alguém que tratava bem o seu corpo. Completamente delineado e muitos músculos já bem ressaltados. Estava ele a contemplar o rio quando ouve um grito do outro lado da rua. Curioso, decide seguir em direcção do grito e vai dar a um café. Lá, 3 homens armados ameaçavam o empregado para que lhes desse o dinheiro que tinha na caixa:

- Passa para cá o dinheiro, que a gente não te magoa, ouviste? - Afirma um deles, enquanto os outros se riam do ar assustado do empregado.

- Sim, claro! - Responde o empregado, bastante assustado.

O empregado tinha razões para estar assustado. Os bandidos eram de um famoso gangue de Hong Kong, que passava a vida a atormentar donos de bares, cafés e discotecas, para que aceitassem os seus serviços, pedindo quantias exorbitantes em troca de “protecção”. Quando o funcionário estava prestes a abrir a caixa registadora, Katsumo interpela-o.

- Desculpe, mas porque vai fazer isso? Por acaso você deve alguma coisa a estes sujeitos?

Os 3 homens viram-se uns para os outros e o que tinha ameaçado antes, aproxima-se e diz:

- Ouve lá, oh franganito, quem é que tu pensas que és? Volta lá para as saias da tua mulher e deixa a gente em paz!

Os outros bandidos aproximam-se e sacam de navalhas e uma katana.

Katsumo fecha os olhos e ri-se levemente.

- Estou a avisar-vos...vocês vão arrepender-se! - afirma ele, decidido.

O homem mais pequeno do grupo, que parecia ser o líder, aproxima-se e responde:

- Ah ah ah ah ah! Vamos lá a ver isso, minorca!

- Tu assim o pediste!

Katsumo lança-se como um tigre ao homem com a katana e aplica-lhe um pontapé lateral, com o qual envia o bandido contra as mesas. O segundo bandido aproxima-se de Katsumo e pretende agarrá-lo, mas este faz um pontapé lateral médio de distância que o lança na direcção oposta.

Passados uns minutos...

- Vaaa...vamos embora! O tipo é doido! - Responde aos soluços o homem baixinho.

- Simmm!! - Respondem os outros dois, fugindo dali aos tropeções.

O empregado mirava impávido o seu café. Estava parcialmente destruído. E tudo no espaço de alguns minutos! Estava chocado.

- Ohhhh... - Suspirou ele, sentando-se numa cadeira.

- Sente-se bem? Quer um copo de água? - Perguntou Katsumo.

- Sim, sim, por favor...

- Aqui tem!

O empregado pega no copo e bebe sofregamente. Parecia impossível. Estaria a sonhar? Era possível! Decide beliscar-se.

- Ai! É real! É real! - Exclama o empregado.

- Hã? O que se passa? - Pergunta Katsumo, um pouco confuso.

- Ah...nada, nada, deixe lá senhor! Antes de mais, muito obrigado pelo que fez! Salvou-me daqueles rufias! Nem sei como agradecer-lhe!

- Bem...eu é que tenho de lhe pedir desculpas pelos danos que causei... - Suspira Katsumo, pensando onde iria desencantar o dinheiro para pagar os estragos.

- Oh não, esqueça isso! Você foi formidável! Diga-me uma coisa...onde aprendeu a lutar assim? É deveras impressionante!

Katsumo fica corado e baixando a cabeça envergonhado responde:

- Bem...é uma longa história...

O empregado puxa uma cadeira para Katsumo se sentar e sorrindo, exclama:

- Sente-se e conte-me, conte-me lá!

Sorrindo envergonhado, Katsumo senta-se e começa a explicar:

- Muito bem, então aqui vai:

Tudo começou ainda era eu pequeno. Eu não sou aqui de Hong Kong, sou do Japão. E durante muitos anos por lá fiquei, com o meu irmão, enquanto treinava num dojo. Um dia, abandonei o dojo em busca de respostas...

Viajei muito.

Há 8 anos atrás estava eu na Tailândia porque ocorreu lá um evento muito especial. Um torneio que pretendia juntar no mesmo espaço todos os Grandes Mestres de Artes Marciais do Mundo. O meu Mestre estava lá presente e foi uma imensa alegria poder revê-lo ao fim de tantos anos. Ele insistiu que eu participasse nesse torneio em homenagem à sua escola e assim o fiz.

Vieram lutadores do Mundo inteiro!

Os combates foram simplesmente espectaculares. Cada um deu o melhor que podia e sabia, todos queriam ganhar. Na Grande Final, a qual opôs um homem bastante poderoso, eu diria mesmo, quase invencível, a mim, foi um dos combates mais incríveis que já fiz.

Esse homem chamava-se Arun. Após um duro e árduo combate, consegui vencê-lo. A vitória foi difícil e Arun não gostou mesmo nada...

*Hua Hin, Tailândia, há 8 anos atrás*


- Não, não, NÃOOOO! Isto não pode estar a acontecer! É um pesadelo! - Gritava Arun, desesperado.

- Parabéns Arun! Foi um combate e pêras! - Respondeu Katsumo, estendendo a mão para cumprimentar Arun.

Arun olha para ele enraivecido e dando um safanão ao cumprimento, afirma:

- Tu! Foste TU quem me fez perder! - Apontando o dedo ferozmente a Katsumo.

- Hey...hey! Tem calma! - Responde Katsumo, chateado.

- Maldito! Eu vou-me vingar, ouviste?

Encolhendo os ombros e virando costas, Katsumo responde:

- Tretas! Lamento muito que fiques assim. Eu fui convidado a participar neste torneio. Dei o melhor de mim, tal como tu deste também. Qualquer um de nós poderia ter ganho o combate! Se não gostaste...olha, azar o teu!

- As coisas mudam, Katsumo Hoshi! Não perdes pela demora! - Rosnou Arun, enraivecido. Tinha sido um valente golpe perder para um estrangeiro, que ainda por cima o vencera a dominar outra arte marcial.


Arun era um homem muito habilidoso. A vida tinha sido dura com ele. Desde cedo que se vira obrigado a mendigar para comer e a trabalhar em inúmeros lugares desde criança. A única coisa que o fazia sentir-se livre era quando praticava Muay Thai e podia libertar a sua raiva e frustração perante uma vida tão difícil e ingrata. Ele sentia que através desta arte marcial podia provar aos outros o seu real valor. Ele era o lutador mais conhecido da Tailândia. Cresceu a treinar e a combater nos ringues. Tinha muito orgulho em si mesmo. Ele era alto, entroncado, careca, quarentão. Com um olhar negro e duro. O seu corpo, bastante musculado, tinha algumas cicatrizes, marcas de momentos trágicos que atravessara na sua vida. No entanto, graças à sua personalidade, Arun fazia disso a sua força para lutar mais e melhor. Porém, ao perder contra um rapaz mais novo, Arun ficou obcecado. A ideia de vencer Katsumo começou a consumi-lo lentamente. Se ao menos soubesse onde ele vivia...!

Um dia...

- És tu o Arun Boonsong?

- Quem és tu? O que queres daqui? - Pergunta Arun. À sua frente estava um individuo mais baixo que ele, o que não era difícil, tendo em conta ele ter quase dois metros de altura.

Fazendo uma vénia, o homem apresenta-se:

- O meu nome é Gonzaléz. Ghrishma Gonzaléz! Trabalho para a Zen Fong...

Arun vira-se surpreendido e começa-se a rir.

- Tu? Um rapaz como tu? Não me faças rir! Ah ah ah ah ah!

O rapaz sorri delicadamente. De repente, saca da sua kattar e num movimento rápido coloca-a junto do pescoço de Arun, sussurrando:

- Eu lamento muito, mas sou susceptível...espero que compreendas...venho sob as ordens do meu Mestre...

- Tens dois segundos para me largar antes que eu te parta o pescoço, meu caro Ghrishma...! - Responde Arun, entredentes.

Ghrishma larga-o e com um sorriso responde:

- Estou encantado! Vejo que nos vamos dar muito bem! Tenho ordens para te levar à presença de uma pessoa. Trata-se do meu amável patrão. Fazes o obséquio de me acompanhar? - Afasta-se a sorrir e faz nova vénia, enquanto recolhe a kattar.

Torcendo o seu próprio pescoço para ambos os lados, Arun sorri levemente:

- És muito delicado para o meu gosto, mas tendo em conta o convite, eu vou sim.

Ghrishma era um homem muito magro. Moreno, cabelo preto, olhos pretos e com um sorriso nos lábios. Era atraente e as pessoas costumavam olhar para ele, ainda que inconscientemente. Ele tinha um certo magnetismo, típico dos assassinos. Sempre com um ar cuidado e sorriso falso, ele fazia o seu trabalho sem problemas. A falsa simpatia e a sua capacidade de bajular faziam-no ser muito bem estimado por quem lhe interessava. No fundo, resumia-se a isso. Ele agradava a quem tinha de agradar, fazendo o seu serviço sem levantar objecções nem perguntas. Após aquele encontro com Arun, Ghrishma conduziu-o à sede da Zen Fong, no interior da selva de Khiri Khan.



Chegados lá, ele apresenta Arun ao seu chefe.

- Amável Mestre, aqui está o senhor que mandou chamar...

- És tu o Arun Boonsong? - Perguntou uma voz, escondida nas sombras.

- Assim é, sou eu mesmo...E você é?

- O meu nome não interessa. Mandei-te chamar por um só motivo.

- Porque me chamou? - Perguntou Arun, levemente acanhado. Não costumava ter medo, mas a presença que a voz misteriosa impunha, o local em si, tudo mostrava um profundo respeito e admiração pelo líder.

- Bem, vou directo ao assunto. Eu sei que te queres vingar do Katsumo Hoshi. Eu tenho umas contas a ajustar com ele também. Que me dizes a fazermos uma aliança para o derrotar? - Perguntou a voz, em tom decidido e frio.

Arun fungou e rodando o pescoço respondeu:

- Hummm...vejo que andas bem informado...Sim,  é verdade...não me esqueci daquilo que aquele rapaz me fez...desejo isso mais do que tudo na vida...

A voz riu-se satisfeita:

- Mwa ah ah ah! Muito bem, creio que isso é um sim! Eu ajudo-te a derrotares o Katsumo, mas em troca tornas-te meu fiel servidor...e desde já aviso que não perdoo “deslizes”...

- Está muito bem! Eu sendo bem pago, aceito! - Respondeu Arun, com uma vénia.

- Óptimo! Presumo que já conheces o Ghrishma...doravante vocês vão trabalhar juntos. Ele é o meu assassino pessoal. Colocar-te-á a par de tudo o que for necessário. Alguma questão, é só dizeres! Se os teus serviços me agradarem, então certamente me conhecerás pessoalmente!

Fazendo nova vénia, Arun sorri:

- Com certeza! Será um gosto ajudar a derrotar aquele rapaz! É tudo o que mais quero!

- Então, brindemos à nossa aliança! Mwa wa wa wa! - Responde a voz misteriosa, enquanto com um estalar de dedos uma bonita mulher aparece para servir taças de champanhe aos 3.

- Longa vida ao nosso Mestre! - Respondem Ghrishma e Arun enquanto brindam. Por detrás da cortina, um vulto saboreia a terceira taça de champanhe, rindo bastante satisfeito.


[Continua...]

No próximo capítulo: "Um encontro indesejado!"

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