sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O essencial de Pokémon GO

Eis que nos chegam informações interessantes que dão alguma luz sobre o novo e certamente mais inovador jogo da franquia dos últimos anos. Leitura aconselhável a todos os treinadores que mal podem esperar para sair à rua e dar um novo sentido à expressão "Gotta catch 'em all!".

Sabemos hoje um pouco mais da base por detrás de Pokémon GO, o novo jogo da franquia baseado em realidade aumentada e georeferenciação em tempo real desenvolvido pela Niantic Inc. (que começou como uma startup subsidiária da Google) em colaboração com a NintendoPokémon Company.

Os detalhes chegam da própria Niantic na pessoa do seu CEO, John Hanke, em entrevista ao VentureBeat. Por coincidência,  o autor deste artigo é jogador de Ingress pelo que tomo a liberdade de complementar as palavras de Hanke na entrevista com a experiência de jogador de forma a melhor elucidar sobre o conceito.



Ingress - A base de Pokémon GO

Hanke começa por elucidar sobre a base do jogo, que deriva da mais conhecida criação da empresa, Ingress, resumidamente o jogo de captura da bandeira mais jogado em todo o mundo, de base mobile (Android e iOS). O objectivo essencial por detrás de Ingress (objectivo concebido pelo próprio Hanke) passa pelo movimento, pelo exercício e pela apreciação de monumentos e arte pública em geral. É composto por jogadores de duas facções (Resistência (Resistance) - azul | Iluminados (Enlightned) - verde) em confronto pelo domínio e controlo de portais (e campos de influência criados pela ligação entre três ou mais portais) estrategicamente colocados em locais simbólicos, sobretudo monumentos da mais variada natureza e locais que de alguma forma representem o engenho humano, pormenor relacionado com o denso lore de Ingress.


'Foto de famíla' num evento Ingress em Oakland, Califónia (EUA) - Crédito: Niantic
A captura e o controlo de portais, que depende de uma monitorização constante de forma a ser bem sucedida, seja para controlo como para protecção de portais/campos em relação à facção rival é feita em tempo real, a qualquer hora do dia e em todo o mundo de forma transfronteiriça. A captura e o subsequente controlo leva à constante deslocação dos jogadores ao local dos portais, o que se pode traduzir numa caminhada de alguns metros até deslocações com bastantes quilómetros dependendo da estratégia de captura, demanda que pode ser levada a cabo de forma solitária ou em coordenação com outros jogadores da comunidade local da facção onde o jogador está inserido. Uma autêntica 'guerra cibernética' (lúdica, claro) travada no dia-a-dia pelo controlo de espaços públicos que permite aos jogadores, entre outros benefícios, conhecer melhor a história e pormenores muitas vezes escondidos dos locais onde jogam.



O crescimento avassalador da comunidade Ingress a nível mundial é um dado adquirido, em parte devido aos eventos temporários promovidos pela própria Niantic, que levam à concentração (em locais previamente designados) e mobilização de milhares de jogadores em todo o mundo de forma a cumprir os objectivos necessários e assim contribuir para a vitória da respectiva facção. E foi esta mobilização de milhares de jogadores que chamou a atenção da própria Nintendo.

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Pokémon GO - O início

O contacto é eventualmente estabelecido entre Nintendo, Pokémon Company e Niantic e após um período indefinido de maturação do projecto, o anúncio chega a 10 de Setembro do corrente ano. A apresentação de GO deixa clara uma arrojada união de conceitos que une a exploração do mundo com captura de objectivos georeferenciados e aquela que é a ideia 'primordial' por detrás de uma jornada Pokémon transversal a todos os jogos da respectiva série principal: partir numa jornada, ver o mundo e capturar todos os Pokémon de forma a preencher a PokéDex. Basicamente o sonho que certamente qualquer um de nós, enquanto treinadores, gostaria de levar a cabo na vida real. Estava em falta a tecnologia para transpor o conceito do ecrã da consola para a rua de forma exequível mas acima de tudo funcional, intuitiva e acessível a um público diversificado. É aqui que a experiência da Niantic entra em jogo, cenário que apenas é possível devido à massificação do smarthphone/tablet como objecto essencial nos dias de hoje.



Tsunekazu Ishihara, Presidente e CEO da Pokémon Company, define os contornos da parceria que permiriram a execução do novo jogo da franquia, salientando que "o investimento estratégico da Pokémon na Niantic define um caminho para uma experiência social de base mobile que o mundo nunca viu. A Pokémon Company está empenhada em estabelecer parcerias com empresas como a Niantic que partilham do mesmo espírito comunitário e inovador."

Para levar a cabo a exigente tarefa, a Niantic funda uma nova startup, sediada em São Francisco, Califórnia, com financiamento da Google (que continua a apoiar a Niantic enquanto empresa independente), Nintendo e Pokémon Company, elevando a fasquia do investimento de produção dos 20 milhões de dólares inicialmente previstos para 30 milhões devido ao cumprimento de objectivos de desenvolvimento que permanecem em secretismo mas que, por sua vez, espelham o objectivo de desenvolver uma aplicação de jogo gradualmente mais ambiciosa, no bom sentido. Hanke salienta que a Niantic conta com apenas 41 funcionários mas garante que todos estão empenhados em transformar Pokémon GO numa realidade, com o maior cuidado e dedicação possíveis.

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Pokémon GO - Diversidade de Pokémon



Hanke salienta que o objectivo principal de GO passa por "sair de casa e em minutos encontrar um Pokémon". Não sendo propriamente comum encontrar de imediato Pokémon raros, parte-se do princípio que haverá sempre algum tipo de Pokémon nas proximidades da localização do jogador, ou seja, mesmo que o jogador viva num meio pequeno, com reduzida densidade populacional (uma aldeia isolada, por exemplo), é garantido que poderá sempre encontrar nas redondezas um ou mais Pokémon que pode capturar. Este pormenor destaca de imediato Pokémon GO de Ingress já que no segundo caso, dada a natureza única dos locais onde são abertos portais (desde logo monumentos), é natural que os maiores núcleos de portais sejam encontrados em zonas com grande densidade não só de pessoas como de locais únicos, identitários e propícios à instalação de portais, como é o caso de grandes cidades.



No caso de Pokémon GO isso não se aplica pois Pokémon não dependem necessariamente de uma localização fixa e poderão mesmo circular numa zona restrita (à semelhança dos roaming Pokémon da série principal que só podem ser encontrados em certos locais e geralmente sob condições especiais) embora não seja claro se a densidade de Pokémon é proporcional à concentração da população, ou seja, se em zonas como cidades, a hipótese de encontrar mais Pokémon aumenta em conformidade à expectável maior concentração de jogadores. É no entanto avançado que o tipo de Pokémon encontrado (por tipo entenda-se tipologia do(s) elemento(s) que representa) em determinado local reflecte as condições desse mesmo local. Por exemplo, zonas com presença de água (costa, rios, barragens, etc.) serão habitats naturais de Pokémon de tipo Água. Zonas florestais deverão ser núcleos de Pokémon de tipo Erva ou Insecto. Zonas urbanas, provavelmente Aço/Luta. Vulcões, Fogo. Zonas de altitude, Voador, e assim por diante. Sabe-se no entanto que certos Pokémon apenas poderão ser capturados em determinadas partes do mundo e alguns Pokémon raros são capturados apenas em "locais especiais".



No entanto a vertente Ingress não está totalmente ausente de Pokémon GO sendo que locais únicos como monumentos e locais históricos terão um papel no mundo de realidade aumentada de Pokémon GO tal como na vida real. Exemplo disso nos jogos da série principal são certos Pokémon que apenas são encontrados em ruínas, pelo que estes locais de alguma forma especiais para a humanidade poderão, entre outros factores, ser "escolhidos" por Pokémon igualmente especiais. Eventualmente, Pokémon lendários. No entanto o objectivo de GO passa, tal como Ingress, pela mobilização, circulação e colaboração de e entre jogadores, seja para tornar mais aliciante uma caminhada pelo parque, conhecer vertentes naturais e culturais da região que serve de pano de fundo à jornada de GO e mesmo explorar lugares remotos e não tão conhecidos para obter novos Pokémon, o que leva o jogador a conhecer e apreciar melhor o mundo que o rodeia. Em suma é um desafio em benefício do exercício físico e da emoção indissóciável ao acto de descoberta e exploração ao quais se associa a vertente lúdica como incentivo à deslocação e a obtenção de um prémio, seja a captura de um portal (Ingress) ou de um Pokémon.


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Pokémon GO - Trocas, sociabilização e eventos



A vertente social é um elemento essencial da experiência que rege as aplicações da Niantic e Pokémon GO não será excepção. Uma das vantagens desta interação, entre muitas outras, passa pelos processos de troca de Pokémon que, à semelhança da captura, definem a franquia Pokémon desde as trocas in-game entre dois jogadores (do Link Cable ao IR/Wireless), às trocas através da internet (Wondertrade, por exemplo) ou mesmo, num registo diferente, às trocas de cartas entre jogadores de Pokémon TCG. Em ambos os casos, coleccionismo ou adaptação ao competitivo (ou ambos os factores) regem este processo que transita harmoniosamente para Pokémon GO da forma mais intuitiva possível.


A já mencionada raridade de certos Pokémon tira vantagem imediata da trocas entre jogadores. Um jogador oriundo de outra região/país, onde existem Pokémon diferentes, pode trocar com outro de forma a que ambos beneficiem ao adquirir Pokémon que, de alguma forma, são raros e/ou geograficamente restritos na área de jogo imediata do jogador, seja uma ragião concreta ou mesmo a um país. Esta troca pode ser feita de forma pessoal, em contacto directo através da ligação entre smartphones mas não é esclarecido se o treinador de GO poderá beneficiar de uma lista de amigos e comunicar remotamente de modo a que dois treinadores, em pontos diferentes do mundo, possam trocar sem a necessidade de um encontro, tal como acontece nos jogos da série principal de Pokémon. Comparativamente, Ingress não tem opção de troca remota, apenas local mas o cenário poderá eventualmente mudar em Pokémon GO de forma a incentivar as trocas interregionais/internacionais e a manter o conceito familiar da série principal.


Tal como em Ingress, Pokémon GO irá contar com eventos temporários e mais uma vez, a cooperação entre jogadores é a chave do sucesso, sendo que na entreajuda essencial para cumprir os objectivos das missões que regem estes eventos, todos acabam por ganhar de uma maneira ou de outra. A cooperação de jogadores é sugerida de forma evidente ao longo do trailer de apresentação de GO aobretudo no final, onde uma multidão generosa reúne em Times Square (Nova Iorque) para, em colaboração e em tempo real, capturarem Mewtwo. O vídeo sugere que cada jogador poderá designar determinado Pokémon (e equipa?) para combater entre os Pokémon que capturou e assim capturar Pokémon de forma individual tal como no jogo ou contribuir, juntamente com Pokémon de outros jogadores, para enfraquecer um Pokémon especial de evento, representado neste caso pelo Mewtwo. O outcome para todos os que contribuem para a captura deste e de outros Pokémon de evento é a captura do dito cujo por todos, a derradeira recompensa e prova de participação no evento. Em linguagem gamer, o que se apresenta é nada mais que um achievement em forma de Pokémon, mas há mais. Se com achievements pensaram em medalhas concretas, essas existem em Ingress associadas ao perfil de cada jogador, sendo algumas delas, normalmente as mais raras, atribuidas pela participação em eventos. Ainda não se sabe se as medalhas transitam para GO mas a possibilidade é bastante segura.



Não foi avançada uma data para o ínicio destes eventos por todo o mundo mas Hanke avança que estes deverão começar em pleno período de lançamento, após a disponibilização da aplicação.

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Para os jogadores que quiserem levar a experiência de Pokémon GO um passo à frente, Pokémon GO Plus é a via a seguir. Este acessório, não obrigatório para jogar, serve o propósito de evitar que jogador seja forçado a olhar constantemente para o ecrã de jogo já que, nas palavras de Hanke, "a ideia do jogo passa por explorar e apreciar o mundo", factor que é minimizado quando a atenção se centra constantemente num ecrã.

O funcionamento do acessório, em formato de bracelete, é bastante simples: o dispositivo vibra e ilumina-se quando um Pokémon entra no raio de alcance do jogador, bastanto pressionar o botão do dispositivo mediante uma determinada sequência, não sendo especificado o porquê da combinação. Provavelemente estará relacionado com o uso de diferentes PokéBolas, correspondendo uma sequência a determinado tipo de bola. Depois de capturado, o jogador pode aceder ao smartphone/tablet e confirmar as capturas feitas através do Plus. A bateria tem uma longa autonomia, permitindo longas sessões de jogo sem a necessidade de carregamentos constantes.



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Pokémon GO - Equipas e ginásios

Tal como em Ingress, onde o confronto de facções estabelece a base da competição pela supremacia, o jogador de GO poderá integrar equipas de jogadores de forma a beneficiar de planos em equipa e da ajuda entre elementos que daí advém. Naturalmente, as equipas competem entre elas, numa possível alusão às teams da série principal. A diferença significativa em relação às facções de Ingress é que GO não estará limitado a duas facções. Não é claro se as equipas são predefinidas, podendo o jogador escolher a que quer integrar ou se existirá a opção de criar equipas e promover/incentivar o recrutamento para as ditas cujas.

Outra novidade, mais uma vez fiel ao mundo de Pokémon, é a inclusão de ginásios. Os GYM estarão espalhados pelo mundo, sendo mais difíceis de encontrar no ecrã de jogo do que os comuns Pokémon. Segundo Hanke, "será do interesse do jogador procurar ginásios para aumentar o nível dos respectivos Pokémon e, naturalmente, batalhar". Em contrapartida, o jogador terá de se dedicar à procura destes locais, o que exigirá esforços redobrados em troca dos benefícios que daí poderá retirar. O modo de funcionamento dos ginásios não foi ainda apresentado.

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Assim se definem as linhas do mais recente update informativo relacionado com Pokémon GO. Para além dos esclarecimentos pendentes nos tópicos supracitados, falta ainda conhecer muitos mais pormenores do jogo, desde logo se GO terá um modo de história ou o início de uma eventual fase beta de experimentação para limar as arestas do jogo, preparando-o para o lançamento formal. Tendo isto em conta fica a ressalva de que estão a circular pela internet várias aplicações fraudulentas que prometem acesso à beta do jogo. Como tal, fica o aviso: todos estes esquemas são falsos.

Já agora, lembram-se do trailer de Dia das Mentiras de Pokémon Challenge, aplicação supostamente desenvolvida pela Google tendo como base o Google Maps? O vídeo foi desenvolvido pela mesma equipa que criou o trailer de apresentação de Pokémon GOPokémon Challenge, não passando de uma brincadeira de ocasião, foi obviamente um "piscar de olho" à aplicação que a Niantic viria a desenvolver, o que passa a ideia de uma generosa "fase embrionária" do conceito por detrás do jogo.



Para terminar, deixamos um excerto da extensa entrevista concedida por John Hanke e Mike Quigley, director de marketing da Niantic, à VentureBeat. Podem ler aqui a entrevista na íntegra (em inglês) que aborda o essencial destacado nesta publicação e mais detalhes interessantes relacionados com o desenvolvimento do jogo e o potencial por detrás de jogos de realidade aumentada como Ingress e Pokémon GO

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Mike Quigley (esquerda) e John Hanke (direita), director de marketing e CEO da Niantic, respectivamente.
Crédito: Dean Takahashi

VentureBeat (VB): "Pelos vistos parece que estão a formalizar algumas parcerias interessantes nos últimos tempos."

John Hanke (JH): "Sem dúvida. Estamos bastante entusiasmados por trabalhar de perto com a Nintendo e a Pokémon Company. Foi entusiasmante partilhar o palco com com o Sr [Shigeru] Miyamoto quando do anúncio [de Pokémon GO], no Japão. Foi óptimo sentir o entusiasmo dele em torno do projecto. Organizámos uma conferência de imprensa em Tóquio. O Sr. Miyamoto veio directamente de Quioto e o Sr [Tsunekazu] Ishihara, CEO da Pokémon Company também marcou presença. Eles [Pokémon Company] são parte da 'família Nintendo' mas são uma empresa independente. Também contámos com a presença do Sr. [Junichi] Masuda, um dos programadores [da série principal] para o Game Boy. Ele trabalha no projecto há vinte anos, desde o primeiro lançamento [1ª geração]. Pokémon comemora o 20º aniversário a 27 de Fevereiro [2016]."

VB: "Estamos curiosos quanto à forma como o jogo nasceu e se desenvolveu porque não deixa de ser um conceito pouco usual para a Nintendo. Raramente [a Nintendo] colabora a esta escala com empresas ocidentais (leia-se europeias/americanas)."

JH: "[O conceito] foi incentivado em larga medida pelo Sr. Ishihara e pela Pokémon Company. Eles estão envolvidos no desenvolvimento dos jogos da franquia ao longo dos anos. Eles orientam o IP (a marca/propriedade intelectual) mas muito do que desenvolvem assenta em parcerias. Numa primeira fase, estabaleceram uma parceria com a Wizards of the Coast [Magic the Gathering] para criar o Trading Card Game (TCG) de Pokémon, que hoje atingiu a marca dos 21 biliões de cartas vendidas. Eles tem parceiros que desenvolvem o anime para a TV. Trata-se de uma empresa que baseia o seu plano de negócios em parcerias e graças ao Sr. Ishihara, fomos [Niantic] introduzidos no seio da Nintendo. 

O anterior CEO da Nintendo, o Sr. Iwata, estava ao leme das operações. Estava a orientar a Nintendo num novo rumo. Parte dessa nova abordagem estava representada na parceria com a DeNA, uma empresa (japonesa) de desenvolvimento de jogos mobile. Eles têm desenvolvido novo hardware inovador na sua estrutura interna. Ele [Iwata] notou a necessidade de adoptar outras estratégias de mercado e encarou o desenvolvimento da Nintendo neste campo com um cunho pessoal. A Nintendo foi, durante muito tempo, pouco receptiva à plataforma mobile mas é hoje claro, seja pela parceria que estabeleceram connosco como com a DeNA, que eles hoje compreendem a importância de desenvolver para este segmento de mercado na actualidade e no futuro.

Os Sr. Ishihara é hoje um jogador avançado de Ingress. A própria esposa é jogadora de Ingress e ambos estavam em níveis bastante elevados em relação a mim quando os conheci pela primeira vez. É sempre bom trabalhar com um parceiro que conhece um conceito desde início. Eles viram em Ingress o complemento perfeito para Pokémon ao ponto de, logo no primeiro contacto e na discussão que daí se gerou acabarmos por terminar as frases de cada um pois chegávamos às mesmas conclusões. Em Ingress conquistam-se portais. Em Pokémon a ideia passa obviamente por sair à rua, encontrar Pokémon e combater com eles contra outros jogadores, fazer trocas e ir a ginásios. É assim que vai funcionar portanto, mãos à obra!

Claro que não foi totalmente acidental. Em 2014 a Google trabalhou com a Pokémon Company numa partida para o Dia das Mentiras que tinha como base o recurso ao Google Maps para encontrar Pokémon no mundo real [Pokémon Challenge]. Acabámos por adquirir alguma experiência no que toca ao desenvolvimento de um produto e do conceito em que este assentava. Na verdade, recorremos à mesma empresa que desenvolveu o vídeo da partida [trailer de Pokémon Challenge] para criar o vídeo de apresentação de Pokémon GO."

Mike Quigley: "Após um evento de Ingress no Japão, o pessoal da Pokémon Company convidou-nos para um jantar e uma saída para discutir conceitos. Tudo o que Sr. Masuda (que integrava o grupo) queria fazer baseava-se em discutir as funcionalidades de Ingress. Ele e o John (Hanke) acabaram por transformar a conversa numa reunião informal centrada em game design." 

JH: "Ele [Masuda] aconselha-nos sobre pormenores do game design de Pokémon e certifica-se que nos mantemos fieis à estrutura identitária da franquia e ao traço comum de todos os jogos para consolas portáteis que desenvolveram até hoje. Eles estão realmente entusiasmados com isto [Pokémon GO] pois encaram este título como uma nova versão do jogo nunca antes feita. 

Não se trata simplesmente da mesma experiência de jogo com uma nova roupagem. Trata-se de algo completamente novo, criado de raíz mas que vai de encontro às origens da franquia e da base que a sustenta, base essa comum a todos os jogos (da série principal): um(a) jovem que parte à descoberta do mundo numa jornada e pelo caminho encontra Pokémon. Se excluirmos os pormenores mais complexos dos jogos da série principal que foram acrescentados so longos dos anos e reduzirmos a franquia ao essencial, esta é a expressão mais básica com que podemos definir o conceito de Pokémon."

[continua]


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O lançamento de Pokémon GO está previsto para 2016, sem data concreta.

O que acham das novidades, treinadores? Prontos para partir á aventura ou nem por isso? E já agora, para além de treinadores, quantos agentes de Ingress estão a ler este artigo?

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Fontes: Niantic Inc.The Pokémon Company | VentureBeat | TechCrunch | CentroPokémon

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