quinta-feira, 5 de maio de 2016

[TCG] Report do Regional de Lisboa

À medida que os últimos dias têm sido marcados pelo lançamento da nova expansão XY Fates Collide, assinala-se também o término da época de Regionais em Portugal, estando aberto o período de preparação para o grande evento do ano no país, o Campeonato Nacional, a realizar no dia 18 de Junho, em Lisboa. Irei posteriormente criar mais peças sobre os Nacionais a nível europeu para dar uma perspetiva do metagame (uma vez que o nosso será dos últimos na agenda) mas, por agora, deixo-vos o meu relatório sobre o Regional de Lisboa.

A contenda contou com 26 Masters, uma generosa parte dos quais eram de nacionalidade espanhola, representados pela equipa Pokémon TCG Extremadura, a região fronteiriça paredes-meias com o Alentejo, além dos já habituais elementos de Grande Lisboa e do Grande Porto. Se não estou enganado, creio que fui mesmo o único participante que não vinha proveniente de uma área metropolitana, o que preocupa bastante a nível de polarização dos jogadores e que veremos qual a sua influência efetiva no Nacional.

Foi, acima de tudo, uma competição renhida num ambiente que já se esperava de cortar à faca devido à necessidade de adquirir pontos para o Mundial por parte de muitos jogadores ainda. © Diogo Santos


O conteúdo do metagame apresentou-se bastante homogéneo e muito inflexível, muito por força dos últimos resultados dos Regionais e pela constituição dos próprios tiers, que não permitem muito espaço a quem queira arriscar em rogues, embora tenham havido de facto algumas surpresas no que diz respeito à composição de decks que fizeram Top 8, devido a uma variedade de fatores. O metacall foi predominante num torneio compacto e houve alguns jogadores a beneficiarem grandemente da sua jogada arriscada, tal como outros que ficaram de fora simplesmente por azar dos pairings, apesar da escolha de deck consistente e poderoso, o que mostra, mais uma vez, que melhor que ser um jogador tremendo a nível técnico, normalmente quem vence torneios é aquele que tem a habilidade mental de prever o metagame, e isso faz toda a diferença.

A minha escolha recaiu em Greninja BREAK, um deck que tem estado entre os melhores a nível de performance e pela falta de counters eficazes (os que há são severamente comprometidos pela presença de Night March), ganhando inclusivamente os outros dois Regionais do mês de Abril, em Sines e no Porto. Afigurava-se como uma escolha bastante segura capaz de garantir pelo menos 66% de vitórias necessárias para passar para o Top 8, que me bastava para assegurar o convite para o Mundial deste ano em São Francisco. De facto, consegui essa percentagem de vitórias, mas não o empate extra necessário para passar em frente. Foi aqui que os pairings fizeram a diferença e onde a estrelinha da sorte às vezes premeia jogadores que decidiram arriscar.
Greninja é um deck extremamente simples, mas com uma estratégia da qual eu não gosto muito: sendo eu um jogador típico de Seismitoad, abdicar do T1 setup e de controlar o jogo do oponente faz-me sempre bastante confusão, mas Greninja é demasiado bom para não se apostar. A grande fraqueza estrutural do deck é o seu setup muito lento (acompanhado ainda de um low count de Pokémon Básicos, que o tornam suscetível a múltiplos mulligans ou um donk de Latios-EX) que normalmente precisa entre 2 a 3 turnos para começar a distribuir KO’s, embora uma vez estejam 2 Greninja BREAK em campo sem restrições de ataque ou ability, o matchup torna-se incrivelmente favorável em qualquer circunstância. O problema restringe-se então em chegar até lá e na capacidade do oponente em responder o mais rápido possível ao setup, fazendo com que eu não chegue sequer ao primeiro Greninja BREAK, e nesse aspecto as melhores respostas são decks que conseguem chegar aos 130 de dano bastante facilmente ou de forma consistente (figurando na lista decks de erva como VespiPlume ou Sceptile e decks de turbo como Night March). A resposta que Greninja tem a estes decks é a inclusão de algumas unidades de Jirachi XY67 Promo, dedicada a ganhar tempo ou a incapacitar severamente estes decks que costumam apostar em special energy ou até a Seismitoad, cujo Quaking Punch pode ser uma ameaça no early-game juntamente com hand disruption/control. As outras forças de Greninja incluem a preservação de energias, free retreat cost, ability denial, prize denial, alto damage input, gestão de recursos, jogo direto e a característica mais determinante, snipe. Giant Water Shuriken é neste momento uma das melhores ability do jogo e pode facilmente decidir qualquer duelo. A presença de 2 Greninja BREAK é suficiente para causar 220 de dano num único turno com apenas 1 attachment e o discard de 2 energias da mão facilmente recicláveis com Fisherman. Um deck tão resiliente, de valor comprovado, era o que eu pensava bastar para me garantir o último conjunto de pontos.

Not this time, bro.


Terminei o torneio, ao fim de 5 rondas, com o registo de 3 vitórias e 2 derrotas, manifestamente insuficiente dada a posição final (11º lugar) e à minha própria expetativa. Mas, ao contrário do que aconteceu no Porto, onde fiz bubble por culpa minha apenas, em Lisboa admito ter sido vítima das circunstâncias que me impediram de chegar mais longe e o sentimento de derrota não foi tão ampliado. Vejamos então o que aconteceu.




Round 1: Joana Sá (Binder.dec) WW – 1-0-0

Inicio o percurso frente à Joana, que ainda sendo consideravelmente nova no jogo, não possui ainda muitas das cartas necessárias para construir um deck competitivo. Numa ronda repleta de byes, não posso dizer que o meu primeiro duelo tenha me dado muitos motivos para suar, embora a Joana tenha dado o seu máximo e chegou a focar-se no Raichu (um dos componentes do seu deck Water/Electric) para me dar KO's nos meus Frogadier; embora, não tendo draw engine nem forma de aceleração, era apenas uma questão de tempo até o poderio de Greninja se evidenciar, o que acabou por acontecer, com um segundo game ainda mais rapidamente decidido devido aos problemas de draw da oponente. Saúdo, no entanto, a resiliência de qualquer jogador novo ao jogo e tento sempre, nestas ocasiões, dar um pouco de força a quem está do outro lado porque são os novos jogadores que dão combustível à comunidade e ao jogo em si e também porque até há muito pouco tempo era eu quem estava do outro lado da barricada. Gosto desse tipo de histórias de sucesso e desejo que a Joana tome interesse suficiente pelo jogo para desenvolver as suas capacidades e investir em cartas melhores.


Round 2: Oscar Batalha (Cancro Sceptile) LL - 1-1-0

O Oscar jogou ao meu lado na ronda anterior pelo que tive oportunidade de ver o que ele estava a jogar -- e era o inimigo mais temido de Greninja: M Sceptile Turbo, um deck extremamente poderoso com a inclusão de Revitalizer, que com o atual suporte de Grass (Forest of Giant Plants e Ariados, juntamente com staples como Battle Compressor, Shaymin-EX, Mega Turbo, Super Scoop Up, etc.) tornam o deck uma força temível, cujos pontos fracos são decks de fogo, bem como Night March, Mewtwo Damage Swap e Giratina-EX (se o jogador de Sceptile for inteligente, contorna este último facilmente). Quando vi os pairings para o Round 2, pus imediatamente as mãos à cabeça e amaldiçoei a minha sorte; o Oscar era o único jogador, de entre tantos com 3 pontos, que tinha esse deck. Sabia que era um auto-loss e que nem valia a pena tentar, mas joguei na mesma. Não consegui montar um único Greninja devido à velocidade do deck e à facilidade em dar-me OHKO's. E mesmo que conseguisse fazer setup, não o conseguiria atingir com Giant Water Shurikens devido à Ancient Trait do M Sceptile-EX. O jogo acabou bastante rápido e a minha margem de erro tornou-se zero. Não fiquei muito chateado porque admiti o auto-loss e estas coisas acontecem, mas dói um bocadinho sabendo que as hipóteses de algo assim se suceder são quase nulas e ocorrem logo nesse momento crítico.


Round 3: Francisco Silva (Night March) WW - 2-1-0

Night March é um matchup favorável para Greninja, mas o que venceu este duelo foi, sem dúvida nenhuma, a minha maior experiência (algo irónico) enquanto jogador e também enquanto maior de idade, visto que ele era Senior. Em ambos os games ele começou sempre com upper hand (não é difícil devido à aceleração típica de NM) mas misplays frequentes, incluindo usar um Ultra Ball para Shaymin-EX enquanto estava um Silent Lab em campo, dificultaram-lhe a tarefa que, de qualquer forma, para ele estava garantidamente ganha. Fui dando bait progressivo, em forma de Jirachi ou de lone Froakies, para colocar os Greninja em campo e limpar o board com snipes, ao qual ele não conseguiria depois encontrar resposta, ou, se ele de facto a tinha, eu teria a certeza que a minha jogada tinha continuação pelo menos nos dois turnos seguintes, contribuindo para isso o facto de eu conhecer Night March como a palma da minha mão. É sempre inglório jogar contra jogadores de divisões diferentes, mas o Francisco deu bastante luta e fez mostrar que com tempo ele pode vir a tornar-se um bom jogador entre os Masters.


Round 4: David Ferreira (Seismitoad/Bats) LL - 2-2-0

Tinha a perfeita noção de que este desafio era fulcral para as minhas aspirações para o Top Cut, e que apenas uma vitória me bastaria para garantir o Mundial, pelo que tinha de me apresentar em boas condições para conseguir levar a melhor o David, Campeão Nacional em título, que estava com um deck que julgava eu ser um easy matchup -- não podia estar mais enganado.
Jirachi viria a ser inútil porque ao David bastava-lhe dar power up ao Sapo com energias de água, e assim que eu colocasse em campo o meu primeiro Greninja, começariam a chover Grenade Hammers, que coadjuvados com o damage counter placement dos morcegos, davam-me hipóteses nulas de ripostar, mesmo com items disponíveis, porque ele tinha prize denial disponível e eu não tinha forma de recuperar e evoluir as minhas linhas mais rapidamente que ele as conseguia eliminar. O David sabia perfeitamente o que fazer neste matchup e eu admiti logo que não estava preparado para enfrentar Toad/Bats - escolha pouco ortodoxa dadas as circunstâncias, até - mas cuja aposta revelou-se frutífera para ele, conquistando assim o Top e o convite para o Mundial. Ele havia-me dito que era horrível vencer daquela maneira: graças a esta derrota, passei a ser o único dos elegíveis para ir ao Mundial neste Regional que não havia chegado a Top Cut, e o facto de ter calhado eu nos pairings em vez de outro jogador dificultou-me as contas e a obrigar-me a pontuar no Nacional, mas a competição é assim e o meu mindset passa pela obrigatoriedade de ter uma boa prestação no Nacional na mesma, senão não merecia de forma nenhuma a integração nesse grupo de jogadores de topo. Dei-lhe os parabéns e seguimos à nossa vida, no heart feelings.


Round 5: Roberto Hermoso (M Gyarados/Palkia/Golduck BREAK) W - 3-2-0

Acabei a minha participação ao enfrentar um dos elementos da comitiva extremadurenha que também já estava eliminado à partida. O Roberto veio com um deck interessante mas algo inconsistente de WaterBox, que incluía toda a espécie de water-types de utilidade variada, embora sem objetivo definido de deck, e portanto algo deficitário a nível estrutural, algo visto no game 1 onde, com um lone Gyarados a flipar tails no primeiro ataque, tive mais que tempo para garantir a vitória no meu setup montado. No game 2 ele já teve acesso a mais trainers, e com isso acesso a M Gyarados, Palkia, Manaphy e Golduck BREAK, algo que não consegui prevenir atempadamente devido a maus draws, um problema algo frequente também em Greninja. Gyarados tinha já força suficiente para me fazer KO's, apoiado pelas abilities de Golduck e Manaphy, então, com pouco tempo restante, dei stall no Gyarados básico dele, sem energias, e spammei Shadow Stitching (Gyarados tem 4 de retreat cost...) até acabar o tempo.



O Top Cut foi constituído desta forma:

Top 8: Beatriz (Mewtwo/Wobbuffet/Bats)
Top 8: Bernardo Mocho (Greninja)
Top 8: David Ferreira (Toad/Bats)
Top 8: Borja Carmona (Manectric/Toad/Jolteon)
Top 4: Oscar Batalha (Cancro Sceptile)
Top 4: Paulo Silva (Vespiquen/Zoroark)
Finalista: Gonçalo Ferreira (M Manectric/Toad)
Vencedor: "Chino" (Vespiquen/Vileplume)




O game 3 foi decidido em apenas um turno por parte do espanhol, num vídeo onde eu claramente ponho a nu as minhas competências orais de Portunhol. © Diogo Santos




O torneio contou com alguns decks que não tiveram representatividade no Top (incluindo uma das escolhas mais populares, Night March) ou cuja presença foi limitada, como Greninja, Toad variants ou VespiPlume, e o que parece aparente é a renovada aposta em Manectric e a força vibrante que Vespiquen continua a ter. Como o metagame se desenrolará a partir de Fates Collide é ainda uma incógnita, mas cá estarei para estar atento a estas motivações e informar-vos de tudo. Parabéns aos que fizeram Top Cut e também a todos os participantes, que é graças a estes todos que a comunidade sobrevive e o jogo cresce. Que tenhamos todos força para renovar o interesse nesta modalidade tão bonita.

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Shaymin Pokeball