Em Análise: Pokémon Red e Blue – Manual em Português – Parte 1

Boas, minha gente!

Foi-me recentemente entregue uma digitalização de um documento de suma importância documental: uma cópia do manual de Pokémon Red e Blue, para o Game Boy, em Português.

Vocês podem perguntar, “Mas qual a importância documental do manual de Red e Blue?”

Caso não saibam, material dos primeiros anos de Pokémon está caríssimo, sejam eles cartas, cromos, merchandise oficial, ou não oficial até, tudo está com um preço cada vez mais inflacionado. Ou o pessoal tinha muita estima pelos materiais que vinham nas caixas dos brinquedos, ou acabam por se estragar, levando a que quem ainda tenha esses materiais os venda por preços abusadíssimos.

Ao saber que uma grande amiga, conhecida no Twitter por @Haruka_VII tinha conseguido obter um destes manuais, pedi-lhe que o digitalizasse de alguma forma, para evitar que acabasse por se tornar em lost media. Ela assim o fez, e enviou-mo. Mal abri o PDF que ela me mandou, eu soube logo, com uma certeza que não consigo explicar, que tinha de partilhar isto convosco.

Quem segue as minhas análises aqui, sabe que tento dar ás análises um pequeno tom humorístico (se consigo fazê-lo ou não, isso já depende de vós). Esta análise vai ser ligeiramente diferente. Esta análise, como vão poder ver, vai ter coisas que me vai ser impossível não criticar. Note-se: eu adoro a franquia, e joguei estes jogos, mas tanto a idade deles já começa a pesar, como o próprio jogo tem coisas que podiam ter sido melhor explicadas.

Esta é apenas a parte 1 desta análise, que terá a sua conclusão publicada dentro de alguns dias.

Dito isto, entrem no vosso DeLorean, e sigam-me até 1999.

Nestas páginas, não há muito para dizer. Talvez só a menção que Pokémon se jogava em “cassetes“, e o “conserva-o para consultas futuras.” Tendo em conta o início desta jornada, diria que alguém, de facto, o conservou.

Note-se a nota (passo a redundância) abaixo do índice. Como assim, “outras versões”? Para completar a coleção, é preciso trocar com um amigo com outra versão. Felizmente, em 1999, bastava levantar uma pedra, e estavam lá uns poucos jogadores a jogar Game Boy.

Todos conhecemos a história de Pokémon Red e Blue, por isso, estas páginas não nos são novidade. Já sabíamos que Red e Blue brincavam juntos mas que, recentemente, Blue se tornou mau (as más companhias, pá…). Até conseguem ver na imagem: está com os braços cruzados, nota-se logo que é mau. Só lhe falta o riso maléfico e a caverna por baixo das montanhas.

A única informação nova que temos é que a rivalidade entre Blue e Red surge porque ambos os rapazes têm a mesma idade e altura.

Algo que me espanta é o facto de Red não saber que o Prof. Oak é um perito em Pokémon. Quando sabe isto, Red foge de casa para ir apanhar Pokémon. Se não tivesse sido interpelado pelo próprio Professor, quem sabe o que os implacáveis Rattata e Pidgey da Route 1 teriam feito á pobre criança.

O Prof. Oak leva-o ao seu laboratório, onde Blue está á sua espera. Descobrimos então que o Prof. Oak é o avô do Blue. “Que informação dramática!”, penso eu. O Professor dá-te á escolha 1 de 3 Pokémon: “Estes Pokémon são bons para iniciantes. Escolhe um, vai á tua vida.” Os conselhos das gerações mais velhas.

Páginas 4 e 5 do manual de Pokémon Blue em Português
Mapa do jogo

Devem reconhecer esta imagem como o mapa da região de Kanto, embora nos idos de 1999, não sabíamos que era apenas uma região numa multitude de locais neste mundo em constante crescimento. Gosto particularmente dos nomes das áreas estarem em inglês. Segundo a Haruka_VII, e como vamos poder ver á frente, os direitos de distribuição dos primeiros jogos de Pokémon eram da Concentra (sim, a Concentra dos brinquedos), e eles não eram muito dados a traduções fidedignas, embora neste caso, agradeço que não se tenham aventurado com traduções. Talvez noutro artigo, nos atiremos de cabeça ás traduções aplicadas ao mundo Pokémon em geral, mas não por agora. Digam-me se querem que faça este artigo.

O Mundo de Pokémon. O lugar onde todos nós já sonhámos estar. O nosso guia para este mundo maravilhoso é o Prof. Oak (sim, o avô do nosso rival, ainda não caí em mim com essa notícia…), e ele diz-nos que há mais de 100 Pokémon espalhados pelo mundo inteiro. Embora tecnicamente correto (o melhor tipo de corret0), este “perito em Pokémon” apenas parece conhecer cerca de 10% de todas as espécies conhecidas até agora. Mas gosto que fique esclarecido que o plural de Pokémon é Pokémon. É tipo “lápis”, ou “ténis”, ou “oasis”. Estavam a pensar que ia dizer “pires”, não era? Já vos conheço…

Os Pokémon têm acesso a técnicas simples, como Tackle ou Tail Whip, que dão lugar a ataques mais fortes, como Bite ou Water Gun. Imaginem o Prof. Oak a ver um Ultra Necrozma a usar Light That Burns The Sky, ou um Eternatus a usar Eternabeam. Ainda lhe dava alguma coisinha má.

Fala-se depois dos Pokémon Leaders, depois alterados para Gym Leaders, e o guia diz que para completar o Pokédex, listado abaixo como objetivo final do jogo, é necessário derrotá-los. Isto está errado. Alguém com quantidades industriais de determinação e, sobretudo, tempo, pode obter os “mais de 100 Pokémon” recorrendo quase exclusivamente a trocas.

Falando no Pokédex, é uma verdadeira “enciclopédia eletrónica”. Estou mesmo a citar o manual. É lá que são guardadas todas as informações de Pokémon vistos ou capturados. O Pokédex vai sendo completado á medida que capturam Pokémon, algo para o qual precisam de PokéBolas, que são vendidas em PokéMarts. Mas, repare-se, o próprio guia diz que é preciso trocar com outra versão diferente.

Nestas páginas não há muito a relatar, só alguns apontamentos: o “+ Controlo“, que tem nome de programa governamental, é capaz de ser um dos nomes mais parvos que já ouvi. Não é estúpido, cumpre a sua função, mas é só parvo. Ah, e aquela caixa de texto do Botão B. Acharam que me ia esquecer?

O manual mostra como continuar um jogo previamente guardado, ou começar um novo. Mostra até como apagar ficheiros de gravação, algo que não se tornou conhecimento geral até á adoção em larga escala da Internet.

Neste grupo de quatro imagens, o manual explica os menus do jogo, desde o Pokédex até ás Options. Não há muito onde esmiuçar, mas reparem na página 11. O tipo é descrito como a “classe genética do Pokémon”. Embora talvez verdade para certos tipos (Grass, Flying, Electric e assim), gostava de saber qual a combinação de nucleotídeos que gera os tipos Psychic ou Ghost, ou mesmo Fighting. Sim, eu fui procurar o que forma o ADN. Ainda dizem que Pokémon não ensina coisas. No mesmo sítio, podemos encontrar o “Special“, classificado como “poder especial do Pokémon”. Embora certo, nada fala de ataques físicos vs ataques especiais, ou seja, que tipos pertencem a cada grupo. Sim, porque antes de Diamond e Pearl, o uso dos stats Attack e Defense ou Sp. Attack e Sp. Def dependiam do tipo da técnica que estava a ser usada.

Outra coisa que quero apontar é em relação aos itens, na página 12. Quando um item é selecionado, é-nos dada a opção de Usar (Use) ou Lançar (Toss). Embora a tradução esteja correta, porque “toss” é de facto “lançar”, mas neste caso é mais “deitar fora” ou “largar”. Mais um caso da tradução exemplar da Concentra.

Agora que temos toda a informação de que alguma vez vamos necessitar sobre este jogo, vamos ao walkthrough.

É aqui que começas a tua jornada para ser Mestre de Pokémon! O teu objetivo é sair de Pallet Town,

Mais uma vez, é-nos lembrado que o nosso rival era nosso amigo até se tornar competitivo e mau. Tendo em conta que ambos têm 10 anos, o nível de competitividade entre os dois deve ser extremamente madura, presumo eu. Já há algum tempo que não tenho 10 anos, mas há coisas que não mudam.

A irmã mais velha do nosso rival, cujo nome sabemos agora ser Daisy Oak, vive com o seu irmão na casa ao lado da nossa, e parece simpatizar bastante connosco.

Permitam-me especular a dinâmica entre estas personagens:

O guia diz-nos que Blue se tornou competitivo e mau recentemente, e também que este vive com a sua irmã, com quem Red tem fácil contacto. Também sabemos que Daisy simpatiza bastante connosco, ao ponto de nos dar um mapa da região, mesmo contra o pedido do seu irmão.

Eu especulo que Red desenvolveu uma paixoneta por Daisy, e que o irmão desta descobriu, levando esta sua súbita mudança de comportamento.

A partir de agora, este é o meu headcanon,

Voltando ao que interessa: o guia diz que “talvez haja uma possibilidade de os dois resolverem as suas divergências.”, mas o jogo nunca desenvolve isto.

O prof. Oak selecionou 3 Pokémon para que Red e Blue comecem as suas jornadas: Bulbasaur, Charmander e Squirtle. Eis a escolha que todos os treinadores fazem pelo menos uma vez na vida, e é uma memória que fica para sempre. Eu confesso que não me recordo qual foi o primeiro que escolhi, pois tenho memórias de jogar com os três, mas atirar-me ia para um Charmander..

O Memorando do Oak recomenda que, da primeira vez que joguem, os jogadores escolham Bulbasaur, que causa mais danos contra Pokémon do tipo Rock.

Vou ficar por aqui, minha gente, mas ainda há mais material a analisar. Na segunda parte desta análise, vou trazer-vos as duas razões que me levaram a escrever esta análise. Não vão querer perder.

Até à próxima!



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