Análise Pokémon Legends: Z-A

Regressámos a Lumiose City, mas será que foi assim tão bom? Spoiler: foi, sim.

Boas, minha gente! Aqui fica a minha análise de Pokémon Legends: Z-A.

Em primeiro lugar, alguns detalhes técnicos. A versão do jogo que tenho é a versão para a Switch 2, que comprei de propósito para esta experiência.

Como sempre, as opiniões expressas neste artigo são apenas minhas, e não sei se são partilhadas pelo resto da equipa.

Vamos então ao assunto que nos traz cá hoje.

Pokémon Legends: Z-A foi anunciado no Pokémon Day de 2024, estando depois quase um ano sem dar sinais de vida. Nesta altura, as únicas coisas que sabemos são o nome do jogo, e a premissa básica, o tal “plano de redesenvolvimento urbanístico”. No episódio do GeekStorm: O Podcast onde discutimos estas informações, disse e cito, “Se o jogo se passar apenas em Lumiose? Que tiro nos pés.” Perante vós, caros leitores, admito: estava errado, e ainda bem.

Gameplay

O mapa de Lumiose é ENORME. Se não parecesse forçado, chamar-lhe-ia “mega mapa”. Estou a jogar há quase duas semanas, e ainda me perco pelas estradas da cidade-luz de Kalos. Há sempre coisas para fazer.

Pode parecer um pouco a antítese de Pokémon, mas a verticalidade desta versão de Lumiose deu-me grandes “vibes” de Assassin’s Creed 2. Eu adorei perder-me nos telhados da Itália renascentista, e estou a adorar perder-me nos telhados de Lumiose.

Sinto que capturar Pokémon se tornou mais difícil do que em Legends: Arceus, mas não é por isso que é menos divertido. Quando desbloqueio uma nova Wild Area, tenho tentado capturar todos os Pokémon que lá aparecem, e já tenho um shiny Litleo, que obviamente, se vai chamar Simba. Mas, se de dia capturo Pokémon, quando cai a noite na cidade de Lumiose, a Z-A Royale mostra-nos um lado totalmente novo da cidade-luz.

As batalhas em tempo real também foram algo que me surpreendeu pela positiva. Se em Legends: Arceus eu me diverti como nunca com a forma inovadora de captura de Pokémon, agora sinto que são as batalhas a ficar com este pelouro. A Z-A Royale traz permite-nos trazer á tona aquele sentimento de “sou eu contra o mundo” que, quando bem canalizado, é bastante saudável. A minha personagem é que não dorme há 96 horas. Enviem ajuda, por favor.

Um dos melhores álbuns dos Coldplay. Tem hits como “Fix You” e “Talk”.
Mas “A Rush of Blood to the Head” ainda é o melhor, só por causa de “The Scientist”.

História e Lore

Ainda não explorei bem a história deste jogo, mas até agora, estou a gostar bastante. Encontrei personagens que já não via há imenso tempo, outras até que pensava estarem mortas. Não posso dizer muito mais do que sei sem ser spoiler.

Se gostam do lore de Pokémon, há uma coisa que recomendo que façam, mesmo que não queiram spoilers. Façam uma visita á nova versão do Museu de Lumiose. A entrada é gratuita, e a exposição sobre Hisui é muito boa, com lore fresquinho. Ou se não puderem ir lá “pessoalmente”, há tours virtuais do museu no Youtube.

A visão de um artista do Prof. Laventon, de Hisui.

Tendo dito isto, temos de abordar a parte negativa…

Gráficos

Permitam-me uma pequena lição de história.

Durante os anos em que Pokémon era jogado em 2D na série principal, o jogo podia estar preso por arames (e no caso da Gen 1, quase que estava), mas era divertido, e o jogador não se queixava. Quando, em 2013, foi adicionado o eixo Z nas dimensões em que jogávamos, começaram a notar-se alguns problemas de performance na 3DS original, algo que novas versões da consola vieram remediar. Não “corrigir”, remediar. Depois tivemos alguns problemas técnicos nos jogos de Alola, pois o mesmo hardware estava a correr um produto mais “esfomeado” a nível de recursos.

Não me lembro de haver problemas nos jogos Let’s GO, mas não descarto a possibilidade, embora fosse uma versão de Kanto bastante diluída, a correr na Switch original. O desempenho da Switch 1 não era nada de outro mundo, mas permitia melhor performance e gráficos relativamente á New 3DS XL. E então, os jogadores viram uma árvore, e foi o descalabro.

Depois, chegaram Pokémon Scarlet e Violet, e com eles chegaram mais relatos, e cada vez mais mirabolantes de erros gráficos, indesculpáveis num jogo AAA no ano da graça de 2022. Na minha análise destes jogos, disse que encontrei alguns, mas que não foram nada de problemático. Uns meses depois, tive dois casos que o foram. Liguei o jogo, e caí de onde estava, pois as texturas e respetivas colisões não foram carregadas corretamente. Noutra altura, enquanto jogava com o nosso Tutan, ao mexer a câmara, o planalto onde estava e onde tinha acabado de capturar o Zangoose shiny desapareceu sob os meus pés. Áreas como Lagtree, perdão, Tagtree Thicket e Casseroya Lake eram completamente “injogáveis”, com taxas de atualização na ordem dos 5 segundos/frame, em dias bons. A Switch 2 veio mudar isso, e ainda bem.

Mas porquê esta diatribe? Porque uma das coisas que vão ver quando passarem por esta versão de Lumiose, é que toda a gente parece querer ter uma varanda, mas sem o incómodo de ter uma varanda. Cerca de 80% dos edifícios não específicos de Lumiose têm uma varanda “pintada” nas suas fachadas, mas que não existe. Eu não percebo o suficiente de game design para estar a mandar postas de pescada sobre o tema (os utilizadores do antigo Twitter fazem isso por mim), mas na qualidade de jogador, não me agrada ver uma varanda num local onde ela não existe. Isto são erros que um game developer a fazer o seu primeiro jogo em Unity ou Unreal Engine nota e corrige, porque é que uma empresa como a Game Freak não o faz?

“Varandas” sem varandas. Ponto positivo: Não há perigo de quedas.

Atenção, eu quero que isto fique bastante bem explicito: eu ADORO Pokémon. E é exatamente por adorar Pokémon que consigo dizer que a Game Freak parece ter investido mais dinheiro no trailer de anúncio de Beast of Reincarnation do que no ambiente gráfico de Legends: Z-A. Mas enfim, poderia fazer toda uma série de artigos sobre a forma como a GameFreak se tem desleixado nos na criação dos jogos.

A minha experiência

Na qualidade de staff deste belo site onde se encontram, é meu dever estar informado das notícias de Pokémon, de modo a trazê-las até vós. Desde o anúncio do jogo, em Fevereiro de 2024, que vos tenho trazido estas informações assim que elas me chegam, e quando não posso, alguém da nossa equipa o faz. Com isto, quero dizer que conhecia as Mega Evoluções que foram anunciadas oficialmente. Mas é um jogo de Pokémon, e obviamente houve rumores e leaks.

Eu costumo afastar-me de rumores, e nos raros casos em que são publicados aqui, são claramente identificados como tal. A cerca de 2 semanas do jogo ser lançado, saem rumores de novos Megas. Não sei quais Pokémon eram mencionados, não li nada. Nos dias anteriores ao lançamento do jogo, abri o Facebook e encontro, num grupo brasileiro de Pokémon GO, imagens de todos os novos Megas, nas suas versões shiny. Vi 2 e não queria.

Eis que o jogo é lançado, e eu consegui passar entre os proverbiais pingos da chuva dos leaks. Depois de fazer o setup à consola e de jogar um bocadito, o Tutan liga-me por Discord, e diz-me “Olha, tenho aqui uma caixa de Pokémon shiny para enviar para o Z-A, para que possamos começar o jogo com Pokémon shiny.” E eu tudo bem. Ele liga a câmara, e mostra-me uma caixa cheia de shinies, e diz que todos aqueles Pokémon têm Megas, novos ou já conhecidos. Eu digo-lhe “Não vi leaks nenhuns. Aparte dos já revelados, não sei de absolutamente nada.”

Continuámos a falar e tal, na “descontra”, no relax, no conforto dos nossos respetivos lares, e ele pergunta-me: “Não sabes a que nível evolui o Scolipede evolui da pré-evolução?”. Como, de facto, não sabia, fui á enciclopédia temática de Bulbasaur e estava lá escrito que Venipede evolui a nível 30 para Scolipede, mas também lá estava escrito que Scolipede tinha um Mega. Nunca o ouvi pedir tantas desculpas num tão curto espaço de tempo.

O porquê desta pequena anedota pessoal? Porque, pela primeira vez desde que me juntei ao PCB, consegui jogar um jogo de Pokémon sem que a experiência tenha sido estragada.

Claro que tinha de visitar o meu amigo Malamar.

Conclusão

Tenho estado a adorar jogar o jogo. Acho que qualquer pessoa nas mesmas condições vos dirá o mesmo.

Dou a este jogo 8.8/10. O jogo é bom. O ADN de Legends está lá, o jogo é divertido, e para os Lore Keepers da franquia, há aqui muita informação e da boa. Agora, quando puxamos da lupa (metafórica ou não), começamos a notar defeitos que não deviam existir numa franquia do calibre de Pokémon.

E fico-me por aqui, minha gente! Lembrem-se de passar pelo nosso Ko-fi se nos quiserem ajudar, e contem com o PokéCenter Blog para vos informar das novidades do mundo Pokémon.

Até à próxima!